O que não fazer na comunicação institucional: o caso de Trump e o Twitter
POSTADO EM 4 de April de 2017

No final de fevereiro, segundo notícia da Folha de São Paulo, Donald Trump avaliou, juntamente com sua equipe de imprensa, suas ações na área de comunicação institucional como atual presidente dos Estados Unidos. Após várias atitudes equivocadas, Trump se classificou como C, justificando que suas tentativas de diálogo com povo norte-americano “não têm sido boas o suficiente”. Sejamos sinceros, desta vez não existem formas para discordar dessa afirmação – e aqui não é uma crítica ou um apoio ao governo Trump, e sim uma análise em sua forma de se comunicar.

 

O que é comunicação institucional?

 

Para entendermos melhor sobre o porquê desse resultado, é fundamental entender o papel da comunicação institucional no contexto político e mercadológico. Toda empresa, instituição, organização ou companhia deve se preocupar com a comunicação institucional, área criada exclusivamente para impulsionar uma imagem positiva da instituição. Para atingir esse resultado, trabalha-se, geralmente, em torno do papel social que a empresa representa, criando canais oficiais de comunicação que humanizem as missões e os valores com os quais a empresa gostaria de ser associada. Em resumo, comunicação institucional, quando bem planejada, objetiva intermediar o relacionamento entre empresa, funcionários e consumidores, a fim de divulgar informações coerentes com a imagem institucional almejada.

 

Qual é o problema de Donald Trump?

 

Compreendendo a noção básica dos estudos da linguagem institucional, já é possível visualizar o porquê da avaliação insatisfatória de Trump. Fundir a página do Twitter pessoal com o presidencial, utilizar os canais de comunicação oficiais do Estado para denegrir a imagem dos opositores e tornar-se desafeto de ministros estrangeiros são apenas alguns exemplos de que os tweets de Trump, com menos de seis meses de governo, já devem ser a maior causa de queda de cabelo de todos os seus assessores.
Para demonstrar alguns dos equívocos, separamos alguns dos tweets que geraram polêmica nos jornais mundiais e que, de certa forma, tiveram culpa na queda da avaliação de Trump na visão dos norte-americanos.

“Meryl Streep, uma das atrizes mais superestimadas em Hollywood, não me conhece mas me atacou no Globo de Ouro. Ela é uma lacaia de Hillary derrotada”. (tweet realizado no dia 9 de janeiro pela conta oficial do Estado, @POTUS)

Sem dúvida, esse tweet originou um mar de críticas ao presidente, não apenas por menosprezar o trabalho de uma das maiores atrizes norte-americanas da história, mas também por utilizar uma conta oficial para ofender uma cidadã de forma crua e autoritária, sem contar a ligação não comprovada que ele faz da atriz com Hillary Clinton.

“A Coréia do Norte tem se comportado muito mal. Eles estão brincando com os Estados Unidos há anos. A China não tem feito nada para ajudar!” (tweet realizado no dia 17 de março pela conta oficial do Estado, @POTUS)

Assuntos complexos, como política exterior, que deveriam ser tratados internamente por meio de reuniões com embaixadores ou entre os líderes das nações, são amplamente divulgadas, sem a proposta de soluções, em menos de 200 caracteres.

“ObamaCare está explodindo. É um desastre e 2017 será o pior ano de longe. Mas os republicanos se unirão para salvar o dia!” (tweet realizado no dia 17 de março pela conta oficial do Estado, @POTUS)

Não há regras que digam que a comunicação institucional não possa abrigar espaços para momentos difíceis, como críticas e retratações, se o objetivo for humanizar a imagem da instituição. No entanto, Trump abusa desses momentos, criticando diariamente, na conta oficial do Twitter, todos os seus opositores de forma áspera, visando enaltecer a importância dos republicanos como heróis da nação.
Em suma, o resultado dessas ações é a caracterização do governo de Trump como uma administração que não aceita opiniões contrárias, além de criar um desconforto inoportuno com esse inchaço de condenações e desafetos públicos. Outro ponto é que, ao abordar frequentemente tantos assuntos, Trump aumenta para si mesmo a responsabilidade de resolver problemas muito complexos.
Embora essas postagens no Twitter não sejam as únicas – provavelmente também não serão as últimas –, já podemos afirmar que as redes sociais do atual presidente dos Estados Unidos podem ser uma ótima fonte de estudo de como não se comportar dentro das redes sociais oficiais de uma empresa ou instituição.

 

Helena Domingues
Assessora de Comunicação

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Comentários

  1. Pedro Freire disse em: 6/04/2017

    Texto maravilhoso! Esse exemplo serve para demonstrar como não é só o brasileiro quem confunde público e privado.

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